#23: Dear Patti
Dear Patti,
sonhei contigo essa noite.
Eu não sei bem de onde você veio, mas vinha descendo as escadas que passavam pela minha frente. Eu chorei quando te vi, e pedi que Izadora me desse qualquer coisa pra pegar o seu autógrafo, e ela assim o fez. Nós conversamos. Antes disso, eu tinha estado na praça levantando os punhos como um brinde pela liberdade. Na verdade era no calçadão da Alencar Guimarães, esquina com a Emiliano. Você não estava no sonho ainda, mas eu te contei sobre isso e você gostou. Por algum motivo, Izadora disse que você poderia passar a noite hospedada conosco, e você assim o fez. Ao assinar o autógrafo, você perguntou se eu já tinha aquele seu livro, que, no meu sonho, se chamava Laheele (ou algo assim, mas esta é a palavra que permaneceu comigo ao acordar). Eu disse que ainda não, mas que pretendia muito, e você pediu que eu anotasse o meu endereço num envelope para me enviar depois. Eu chorava muito. Mas eu também me debatia porque não lembrava o endereço. Sei que escrevi rua Napoleão Lopes, mas não sabia mais meu número, se era 602, se era 508 (achei que era 508). Mas não era, e tentei abrir um mapa enquanto me desmanchava em choro. Você dormiria numa cama do outro lado do quarto. Eu acordei antes que isso acontecesse, mas já sabia que iria te chamar durante a noite e te dizer que eu estava lutando e que eu estava com medo, e eu queria dizer, acima de tudo, que você faz as pessoas felizes.



É claro que Patti pode ficar hospedada conosco, é uma honra. Espero que ela saiba disso.